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“Ontem… era como se eu não existisse mais, para mais ninguém lá em cima”.

“É porque você realmente não existe mais lá”.

Avaliação: 4,5 de 5.

Vou começar falando um pouco do autor. Por falta de vergonha na cara, é um relacionamento recente que tenho com seus livros. É o segundo que leio do autor (e depois de anos tentando ler mais do que 5 edições do Sandman no computador, comprei a Edição Definitiva para devorar a história dos Perpétuos), mas já estou completamente apaixonada pela imaginação dele, e a forma com que ele descreve e nos apresenta mundos fora de nossa realidade. Tenho que concordar com uma das resenhas que já li sobre obras dele que diz que Neil Gaiman tem a sua própria forma de fazer literatura.

A narrativa do Neil Gaiman  me encanta. É envolvente, com descrições essenciais e não exageradas dos lugares, com um ritmo que te transporta ao mundo que ele cria, sem muita estranheza.  Eu sabia que não ia me decepcionar, afinal, os filmes Coraline e Stardust são baseados em livros dele (que lerei também, claaaro).

Agora, deixando a minha obsessão pelo autor de lado, vamos ao livro?

Normalmente, livros acabam inspirando séries e filmes. Às vezes, séries se transformam em livros. Este é o caso de Lugar Nenhum. A série foi roteirizada por Neil Gaiman em 1996, e logo transformada em livro.

Ele é narrado em terceira pessoa e mostra a vida pacata e bem normal, quase passiva, de Richard em Londres. Ele tem um emprego, tem uma namorada, uma casa e um melhor amigo. Neste começo, você tem a impressão que ele não é movido por nenhuma paixão, em nenhum destes aspectos: a forma como ele fala que gosta da namorada e futura noiva é como se estivesse cumprimento meta, a forma como ele descreve o trabalho e até interage com o amigo. Tudo muito monótono. Até que, enquanto ele e sua noiva caminhavam para um importante jantar – para ela – uma jovem cai ao seus pés ferida no meio da rua, do nada. Ele insiste em socorrê-la, e assim, Richard entra em contato com um mundo que ele não sabia que existia – e que, após este contato com Door transporta sua vida para este novo lugar: A Londres Debaixo.

Nos esgotos e metrôs da cidade, existe uma civilização bem diferente da Londres de cima – e Richard se depara com a responsável por sua transição – a jovem chamada Door – que habita um mundo onde existem marqueses, monges, pessoas com habilidades especiais, assassinos bem cruéis, caçadores e guerreiros, entre muitas outras figuras únicas – e lugares que na Londres de Cima ele nem sonhava que existiam tão ao pé da letra.

Aliás, a descrição histórica de alguns lugares de Londres é um show à partePara quem conhece bem a geografia do local, deve ser muito interessante ler sobre a Londres Debaixo, com paradas de metrôs que não existem na Londres de Cima e lugares que levam o nome do bairro ao pé da letra em relação a quem habita. Adorei conhecer a histórica de alguns prédios e locais londrinos no meio do amadurecimento de Richard como pessoa na Londres debaixo.

O empolgante da história é acompanhar este amadurecimento também – em especial o momento em que Richard realmente cresce, se torna mais adulto e ciente das coisas que acontecem ao seu redor e como ele lida com elas. Isto também é mostrado com a forma com que os outros personagens lidam com ele – um forasteiro que caiu de pára-quedas em uma busca por vingança, onde, no início, ele não passa de um peso morto, mas com o decorrer dos acontecimentos acaba ganhando importância e fazendo a diferença.

Ao longo do livro, Gaiman nos dá algumas dicas das reviravoltas que estão para acontecer na história, mas mesmo assim não tira a emoção e até a indignação de algumas descobertas. No final, você termina de ler, satisfeita. Recomendo se você gosta de fantasia, tratava de forma natural e se quer perceber a magia dos acontecimentos enquanto toda a história se passa em um monte tenebroso e, de certa forma, horrendo.

Na minha opinião, vale a pena ler. E você, já leu? O que achou?

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