alta_fidelidade

“As pessoas se preocupam que as crianças brinquem com armas e que os adolescentes joguem videogames agressivos; (…) Mas ninguém se incomoda que esses jovens ouçam milhares – literalmente milhares – de canções sobre corações partidos e rejeição e dor e sofrimento e perda”.

Avaliação: 4,5 de 5

A história traz a vida de Rob Gordon, dono de uma loja de discos que acaba de levar um fora da namorada e é obcecado por cultura pop, top fives e, atualmente, a ex-namorada e porque ela o deixou. Ele é inseguro, tem problemas com relacionamentos passados e nada bem-resolvido.

Então, no melhor estilo Rob Gordon, coloco aqui os cinco pontos mais memoráveis de todos os tempos do livro, aqueles que eu levaria para uma ilha deserta:

1. Você ser impactada por várias listas (top five) do personagem e pessoas que ele conhece, como os cinco términos de namoro mais memoráveis de todos os tempos, as cincos músicas sobre morte, os cinco crimes musicais que Stevie Wonder cometeu nas décadas de 80 e 90, os cincos melhores episódios de Cheers (livro foi publicado em 95), as melhores primeiras faixas de todos os tempos etc.

ponto importante (só pra mim, na verdade, mas vou compartilhar): eu vi o filme primeiro, e ele foi o responsável pelas aulas dos primeiros anos de faculdade de inglês serem super divertidos – eu e mais duas amigas usávamos os 50 minutos para fazer todas os top fives possíveis de tudo que gostávamos – e odiavámos. Beijos pro Nick Hornby que me viciou em listas.

2. O protagonista é um cretino. Sério, ele faz tudo errado, ele é imaturo demais, ele não consegue lidar com nenhum problema e tem uma pegada de obsessão que é tensa. E isso que é o sensacional dele! É divertidíssimo, mesmo que trágico.

3. O bombardeio de cultura pop – principalmente musical – é fenomenal! É tipo – desculpem, mas é essa expressão mesmo – um orgasmo a quantidade de citações, argumentos e referências que existem neste livro. E imperdível ler como os personagens entram em discussões calorosas sobre as listas e gostos uns dos outros. O Rob Gordon também nos conta e justifica algumas listas quando está falando sobre os pais, por exemplo (onde ele cita os 5 filmes que ele mais gosta, que a mãe e que o pai em um momento), o que é divertido.

4. O momento que ele resolve ir atrás das ex-namoradas que ele cita logo no primeiro parágrafo do livro (o seu primeiro top five), para entender porque os relacionamentos não deram certo, e quem foi o errado. Sério, é vergonha alheia, mas você não consegue parar de ler e se prende na história cada vez mais.

5. A busca pela perfeição das mix tapes. Para você, caro leitor, que não viveu a época em que gravávamos fitas K7s com nossas músicas preferidas – lado A e lado B – não sei se é algo impactante. Mas o Rob Gordon tem o jeito todo dele de fazer a mix tape perfeita, com a sequência de músicas que prenda a atenção de seu presenteado faixa após faixa, não entregando o ouro logo de cara, mas também não permitindo que a pessoa se distraia no meio da fita. E aí chego na parte que entra uma cena sensacional do filme (sim, gente, virou filme). Obrigado Nick Hornby por narrar o Barry (funcionário de Rob) chegando na loja de discos super animado e trazendo sua mix tape de músicas para segunda-feira com “Walking on sunshine”. O Barry é interpretado pelo Jack Black e a cena é demais. (pra entender o mal humor do Rob – John Cusack, ele tinha acabado de levar um fora da namorada):

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