“Eu respirei fundo e ouvi a velha pancada do meu coração.
Eu sou, eu sou, eu sou.”

O sentimento pós-leitura: este muro negro.

Sabe uma história intensa, onde o que mexe com você é a cabeça da protagonista?

Pois é. O livro mostra uma menina, Esther, que é inteligente, tem bolsa em uma importante faculdade, só tira notas altas e está fazendo um estágio em uma importante revista de moda de Nova Iorque. Ela tem tudo para dar certo – mas, aos poucos, o dia a dia começa a perder o propósito e as coisas parecem não fazer sentido – só que isso faz com que ela se sinta deslocada no mundo.

É um romance de 1962 – mas é atemporal. É um romance semi-biográfico (que foi lançado primeiramente sob pseudônimo) e mostra toda a fragilidade da vida da autora, que se matou um mês após lançado o livro. É seu único romance – em meio a poesias.

Sylvia Plath é referência.

E The Bell Jar (A redoma de vidro) é uma obra que incomoda. Incomoda na parte em que é mostrada a inquietação da personagem em ter que ser pura e casta para poder se entregar após o casamento para qualquer homem que só irá fingir ser puro e casto – porque na verdade ele não será. Incomoda ao ver que a personagem está perdendo aos poucos a sanidade – e ela tinha tudo para ser uma pessoa bem sucedida. Incomoda quando ela começa a refletir sobre cortar os pulsos em uma banheira com água quente, sobre se é nobre ou não se afogar ou morrer queimada. Incomoda perceber a intimidade que a autora escreve sobre experiências de tentativas de suicídio, o que leva a pensar que são partes biográficas mesmo. Você acompanhar a mente da protagonista e se ver no universo dela, sentir que a depressão e a dor que ela sente de existir é algo real e palpável, incomoda.

E o livro te envolve e a história flui naturalmente. É uma construção muito bem feita e uma leitura imperdível.

“A única coisa que eu podia ler, além dos jornais de escândalos, eram esses
livros de psicologia clínica. Era como se uma estreita abertura se
desabrochasse, assim eu poderia aprender tudo o que eu precisava saber
sobre meu caso, para extingui-lo de maneira apropriada.”

 

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