Eu poderia fazer esta resenha em junho, que é o aniversário de lançamento do álbum do Sgt. Peppers, mas como eu estou ensaiando para ler a biografia de muuuuuuuuuuuuuuitas páginas da banda, resolvi incluir este livro que conta só um ano na vida da banda (e de seus comparsas da época, aqueles do tipo Velvet Underground e Jimi Hendrix, sabe?)

20140206_000355

 

O livro relata tudo o que aconteceu entre 1966 e 1967 no rock, mais especificamente com a cena que envolvia os Beatles, Rolling Stones, The Beach Boys, Pink Floyd e também Bob Dylan. Viajamos no tempo e vemos um grupo londrino resolver dar um descanso das turnês, pós-lançamento do disco Revolver e pré Sgt. Peppers. Assim, eles abrem espaço para que o Stones e Beach Boys evoluam. No livro, acompanhamos o processo de Pet Sounds dos Beach Boys, o Pink Floyd em estúdio, a concepção do álbum Sgt. Peppers.

Ali a gente vê um John Lennon apático pelo uso de drogas excessivamente, assim como os problemas também com as drogas de Bob Dylan.

Para uma fã de Beatles e, sobretudo de rock, este livro é uma delícia. A gente entra de cabeça na realidade destas bandas que, opinião pessoalíssima, são o puro creme do sucesso! É engraçado perceber como detalhes da carreira de uma banda influencia diretamente no espaço e na oportunidade que se dá para outras bandas, e vice-versa. E a gente vê o que todas as bandas estavam fazendo enquanto os FabFour matutavam e trabalhavam em cima do cd que muitos consideram divisor de águas da banda (não concordo, mas… deixa para outro blog esta discussão).

Também é interessante ver como os Beatles lançaram Strawberry Shields Forever  e Penny Lane em um EP antes do lançamento do Sgt. Peppers, e como elas não foram bem recebidas pelo público. Deixamos de ter estas duas músicas no álbum, e consequentemente, nos é mostrado o empenho para produzirem novas músicas, regadas a ácidos e na companhia de Billy Shears.

E no livro também sentimos que o Sgt. Peppers foi uma resposta à altura ao Pet Sounds do Beach Boys (não exatamente no momento do lançamento), mas os álbuns representaram uma mudança e evolução do que era consumido de música. Vemos o Pink Floyd e seu rock psicodélico surgindo nesta oportunidade, e o Jimi Deus Hendrix guitarreando por aí com seu primeiro álbum. Consegue perceber que o livro nos insere dentro do ano em que o chamado acid rock começou a tomar forma? Hoje, nós aproveitamos muito bem o que este ano na vida dos Beatles e amigos trouxe para a indústria cultural.

Havia uma aura de experimentação no ar, e as gravadoras britânicas se mostravam surpreendentemente passivas em relação aos empresários que lhes diziam o que tinha potencial de venda. Na verdade, elas estavam perdidas – os acontecimentos eram rápidos demais para seus cérebros diminutos. A maioria, contido, mostrou sensatez ao reconhecer esta deficiência, além do medo real de se tornar ” o próximo Dick Rowe”, chefe do departamento artístico da Decca. Joe Boyd aponta em suas memórias da época: “Ninguém queria ser Dick Rowe[…] que recusou os Beatles. Se uma banda fosse razoavelmente decente, logo assinava um contrato”. 

Anúncios