grito_amor

 

Choro porque ao deixar o sonho agradável e retornar para a realidade triste, existe uma fenda pela qual não há como passar sem derramar lágrimas.

Avaliação: 4 de 5.

É o primeiro autor nipônico que me aventuro a ler (deveria ser o Murakami, mas vi a resenha da Gleice Couto em seu site Murmúrios Pessoais, e tive que aproveitar a promoção do Submarino). Depois que comprei descobri que o livro foi sucesso total no Japão, superando o livro mais vendido do Muramaki, e virando mangá e filme. Enfim, tudo para ser muito bom e foi.

Vamos começar pela forma que são descritos sentimentos: não sei ao certo se éa forma japonesa,mas ele compara e joga com as palavras de uma forma que teria tudo para ficar piegas e muito brega – se Nicholas Sparks ou Marian Keyes fossem tentar escrever de forma parecida. Achei a tradução da Alfaguara muito boa – e a forma de tratar os sentimentos única.

Quando uma quantidade adequada de ácido reage com fenolftaleína em solução básica, ela passa do vermelho para o incolor. Foi o que aconteceu com o meu mundo, que também desanuviou, tornando-se límpido e claro.

Agora falando do primeiro capítulo – ou melhor da primeira página (talvez seja spolier, para os mais sentimentais com leituras). Ao contrário de, por exemplo a narrativa de John Green, Katayama é muito direto e já nos mostra logo após o primeiro parágrafo que há uma morte e toda uma reflexão sobre o tema e como nos comportamos em relação a ele. Claro que isso vindo da ótica de um adolescente. Conseguimos perceber o tratamento que o tema é recebimento, como é que as pessoas se relacionam e até amadurecem alguns sentimentos, com um drama central pesado, mas sem histeria e intensidade nas paixões – você acompanha a história já triste desde o começo, mas valorizando cada página lida como uma experiência. E a narrativa vai e volta em flashblacks de maneira amarrada e sem fazer com que nos percamos – foi escrita de uma forma bem inteligente.

O mais fantástico para mim – além da ótima narrativa e construção dos personagens – foi a overdose de referências nipônicas. Busquei no google muita coisa, como o esporte kendo (para confirmar se era o que eu estava pensando), a arquitetura de Rokumeikan, a democratização Taishô, livros e mais livros que os japoneses precisam ler na história, como a primeira narrativa em prosa do Japão. Também aprendi um pouco sobre um dos silabários fonéticos: o katakana, e que é mais simples que o ideograma. Dependendo do seu nome, você escreve com um deles e emprega um significado, uma origem. É muito interessante a conversa do protagonista Sakutarô com a mãe de Aki sobre o nome dela e porque o significado foi confundido.

O livro é um aprendizado e uma reflexão. Eu gostei muito muito muito do livro e recomendo demais!

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