Avaliação: 3,5 de 5.

Jorge Luis Borges escreveu este livro de contos no final da sua vida. Escreveu não, ditou, pois estava quase cego. Não li ainda Ficções, que é a obra-prima do autor argentino, mas já ganhou o meu respeito em saber que, mesmo não podendo mais escrever, ele deu um jeito e o fez mesmo assim!

E antes de começar a papagaiar sobre a narrativa dos contos, algumas histórias que mais gostei etc. preciso avisar: vou ter que reler esta coletânea. Não tem jeito de ler apenas uma vez, pois são muitas referências, e não são referências do tipo fáceis – afinal, para que facilitar a vida se podemos ler contos de um senhorzinho inteligentéééérrimo escritos nos anos 70? Fora que ele trabalha loucamente com a metalinguagem, o que torna a leitura mais interessante e complexa, sentindo a narrativa sempre remetendo a ela mesma.

Enfim, vamos aos contos? Gostei muito mesmo do primeiro conto, onde doppelgangers se encontram, mas na verdade não se sabe ao certo o que está acontecendo – sonho ou realidade? Um conto de amor (que o próprio autor cita que a temática é mais vista em suas poesias) quando o protagonista se depara com uma mulher fantástica que dá nome ao conto – Ulrica; a seita dos trinta com uma parte da história do mundo que estava escondida, um diário de viagem, uma enciclopédia de seres inexistentes, e assim por diante.

Mas o melhor conto é o que dá nome ao livro: O livro de areia. Lá, o protagonista é convencido a comprar um livro de areia que não tem começo e nem fim! Você não consegue ler a primeira página e nem a última: é o infinito em forma de um livro de areia, e você acompanha um livro que não tem sequencia e nem transmite uma única mensagem, mas que abre novas perspectivas, a cada olhar, assim como novas possibilidades de leitura. E eu fico por aqui, pois só conseguiria escrever mais e de forma assertiva se já tivesse relido – pelo menos duas vezes – estes contos, muito complexos para uma mente (atualmente) preguiçosa.

 

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