Às vezes… ou quase sempre… não existe um porquê.

cilada

Avaliação: 3 de 5.

Olha, fazia tempo que queria ler algo do Harlan Coben, de tanto que falam. E vi postagens loucas da Editora Arqueiro no facebook divulgando fotos de fãs do autor. Ele escreve romances policiais americanos, ganhou vários prêmios e tudo mais. Por isso, me aventurei e me joguei em uma promoção de livros dele (acho que estou um pouco arrependida, mas sempre posso trocar os livros após lê-los, não é?).

Bom, confesso que esperava mais. A história vai se desenvolvendo bem, a narrativa do autor é boa, só que a trama e como as evidências e insights vão surgindo são beeeem fraquinhos. O livro não me conquistou, apesar de ter tido um bom final e algumas surpresas interessantíssimas.

A sinopse nos mostra duas histórias paralelas: Wendy é uma jornalista que desmascara pedófilos. Aparentemente, ela coloca Dan em uma situação nada confortável e acaba com sua vida. Enquanto isso, Hayley, uma adolescente normal, desaparece, sem mais nem menos. Não quero contar muito mais (mesmo que a orelha do livro conte uma coisa que só vamos saber na página 62, mas OK), mas o que eu quero expressar aqui, opinião minha super única e tendenciosa é que se você quer ler um bom livro policial, por favor, deixe de lado os 17 livros de Harlan Coben e leia a Trilogia Millenium do Stieg Larsson. São três bíblias, mas valem muito a pena. Sei que não posso comparar a profundidade dos personagens de um livro de 270 página com três de 500 páginas cada, mas a jornalista Wendy consegue ter uns insights tão do nada, com fatos e evidências tão sem sentido, que gente… não me conquistou.

Além da Wendy, temos uma advogada tão, mas tão chata e forçada, que só não dormi nas passagens que ela fica falando sem parar perante os policiais para conseguir mostrar que eles não possuem nada para segurar o seu cliente na delegacia porque realmente queria saber onde aquilo ia chegar. Mas acho que o que mais me decepcionou foi como os fatos foram surgindo, e como existem umas passagens bem patriarcais (vamos ler isso como machistas, né?), outras passagens bem clichês e fraquinhas, falando sobre bebidas entre adolescentes e tentando doutrinar ou chocar com isso. Não sei se gostei também da cena onde é revelado o mistério.

Mas eu entendo que tudo isso é porque eu já li romance policial bem melhor – Trilogia Millenium, gente, corre pra ler que vale muito a pena (li em 2009, mas fiquei tentada a escrever uma resenha aqui destes livros, só para ter o gostinho de relembrar).

Enfim, tenho mais três livros do autor para ler e reconsiderar, mas como minha amiga me disse que Cilada é um dos melhores, já sei que não vou mudar de opinião tão cedo. O livro trata de um assunto tenso, mas existem tramas pessoais de personagens que beiram o clichê e não conseguiram me envolver para dentro da narrativa. Não fiquei ansiosa para saber o final, só queria entender como é que o autor iria desdobrar e explicar tudo, de maneira convincente. Até que foi, mas nada muito extraordinário.

A leitura toda valeu por esta passagem, que é o pensamento de um dos policiais:

Muitas vezes somos obrigados a fazer julgamentos que não gostaríamos de fazer. E queremos que eles sejam fáceis. Queremos confinar as pessoas em categorias bem definidas, anjos ou monstros, mas quase sempre o buraco é mais embaixo: a verdade está em algum lugar entre os dois extremos. E esse é o problema. Os extremos são bem mais fáceis.

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