Tristessa está doidona, linda como sempre. Vai alegre para casa deitar na cama e curtir sua morfina.

A leitura? Angustiante.

Os acontecimentos narrados? Sofridos.

A narrativa? Te deixa em alguns momentos sem conseguir respirar.

E a história? Real.

O autor que nos narra Tristessa, um livro com histórias vividas no México, é Jack Kerouac. Tristessa, na história é uma mulher que conheceu e no momento vive para as drogas: morfina é o que a move. Na vida real, o nome da prostituta por quem Kerouac se apaixonou era Esperanza.

Tristessa = junkie índia

Kerouac = bêbado apaixonado

Cidade do México = melancolia em forma de prédios, ruas e habitantes

Não quero su moa-ny, o que eu quero é yur loave.

Só de tentar falar um pouco sobre o quarto de Tristessa, sobre os companheiros de quarto dela (Old Bull, sua irmã Cruz, gato rosa, galo e galinhas e, claro, a morfina) já angustia. Com aquela narrativa frenética onde a falta de vírgulas e pontos nos fazem prender a respiração e sentir o ambiente pesado dos lugares descritos, Kerouac conseguiu me prender na leitura e fazer aquela pontada no coração surgir. Presenciamos duas partes do livro: quando ele a conhece e passa um tempo na Cidade do México e um ano depois, quando ele resolve se declarar em cartas e – depois de um tempo muito longo que ele não deveria ter esperado – resolve visitá-la.

O cenário da visita é pior que o cenário de quando a conhece. Angustiante e com novos acontecimentos. Melancolia, dor, asco, paixão, empatia… é uma mistura de sensações que Kerouac nos proporciona em palavras. Um bom livro – mas tem que estar preparado, pois não é uma leitura bonita.

 

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