An ancient truism had once decreed, “Self improvement is masturbation..”

Começa como uma paródia de 50 tons de cinza. Chuck Palahniuk visivelmente está tirando um sarro da protagonista de livros como o E. L. James (e você se diverte ao ver a caricatura criada da moça que tem uma ambição, mas a realidade é cruel com ela, como se estivesse assistindo a protagonista da Cinderela tentando sobreviver nos dias atuais).  Penny, uma menina do interior que veio para NYC ser advogada, trabalha como estagiária em uma empresa de advocacia enquanto falha em passar na OAB. É ali que ela conhece C. Linus Maxwell, o cara mais rico e bem sucedido do mundo, conhecido também como “Clímax”.

O formato de um dos brinquedinhos do mal.

O formato de um dos brinquedinhos do mal.

Até aí, estamos nos divertindo com a tiração de sarro com 50 tons de cinza: ele a chama para jantar em um restaurante mega chique, e vemos a protagonista gastar todo o seu limite de cartão de crédito em um vestido digno de atriz hollywoodiana, torcendo para não estragá-lo para poder devolver no dia seguinte.

O jantar não parece um sucesso, com o Maxwell completamente frio à presença de Penny, mas como boa gata borralheira, ela simula que deu certo dentro de sua cabeça – e vai com ele em seu jatinho jantar em Paris.

As coisas começam a mudar do rumo “deixa eu mostrar uma crítica para todos que acham que 50 tons de cinza é uma narrativa legal “, quando descobrimos o tipo de contrato que Penny é de sigilo: ela seria a cobaia para testar produtos da Beautiful You, linha de brinquedos eróticos para mulheres que Maxwell estava testando até a sua perfeição. E com isso nós vemos que a crítica é bem mais pesada: Chuck Palahniuk aborda o sexo como forma alienação e escravidão, através do marketing “faça o que ama, se entregue a felicidade” e a sociedade contemporânea com seus vícios.

Vemos o feminismo também ser abordado, mas aquele feminismo que a Marie Claire e a Cosmopolitan ditam – e é assim que Maxwell consegue dominar todas as mulheres por meio do prazer sexual, tão viciante que elas não conseguem fazer outra coisa, a não ser comprar cada vez mais e mais brinquedinhos da Beautiful You e se alienarem da vida.

Somando a isso, Chuck mostra como a sociedade atual lida com as relações, em sua maioria superficiais, mostrando também a falta de tato do homem com a sexualidade feminina (nosso vilão protagonista mostra este comportamento do começo ao fim, com Penny e também sua ex-mentora e bruxa sexual tântrica).

É um livro incrível de um ator sensacional. Vale a pena qualquer pessoa ler.

 

Anúncios