Começando o Desafio Livrada 2016 com um livro curtinho, porém muito legal: o prêmio Nobel Mo Yan, com sua ficção autobiográfica Mudança. Tenho este livro há algum tempo na estante, não sei porque demorei tanto para ler, é um texto super leve e tranquilo, com momentos engraçadinhos.

Avaliação: 4 de 5.

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Este foi o primeiro livro traduzido para português no Brasil de Mo Yan, e surgiu quando ele foi receber um prêmio na Itália e um editor pediu para que ele fizesse um texto sobre as mudanças na China (pré e pós Mao Tse Tung). Ele não quis fazer no início, mas depois acabou topando e escreveu esta autobiografia de ficção, com ele próprio narrando acontecimentos desde 1969. É interessante ver as mudanças no dia a dia e da percepção de que, com a morte de Mao, a China não foi destruída, mas começou a evoluir.

Uma passagem muito interessante é quando ele começa sobre o contra-ataque à ofensiva vietnamita em 1979: ele invejava as pessoas do exército que haviam sido enviadas para combate e que deram suas vidas para defender o país. “Quem me dera um dia ter a oportunidade de ir ao front e me tornar um herói. Se passasse incólume, sairia com méritos e ganharia uma promoção. Se morresse, meus pais seriam tratados como familiares de mártir, o que mudaria o status político da minha família e faria valer a pena terem me criado. Na verdade, eu não era o único a ter este tipo de raciocínio. era um pensamento muito simples, muito ingênio, mas refletia a mentalidade distorcida que tínhamos nós, filhos de camponeses de renda média, alvos da opressão política. Uma morte gloriosa era muito melhor do que uma existência sem sentido.

 

 

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